Convite


" A Igreja convida-nos a aprender de Maria (...) a contemplar o projecto de amor do pai pela humanidade, para amá-la como Ele a ama."



Mensagem Bento XVI, Dia Mundial das Missões 2010
















segunda-feira, 9 de abril de 2018


http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html

A tua missão em Cristo
19. Para um cristão, não é possível imaginar a própria missão na terra, sem a conceber como um caminho de santidade, porque «esta é, na verdade, a vontade de Deus: a [nossa] santificação» (1 Ts 4, 3). Cada santo é uma missão; é um projeto do Pai que visa refletir e encarnar, num momento determinado da história, um aspeto do Evangelho.
20. Esta missão tem o seu sentido pleno em Cristo e só se compreende a partir d’Ele. No fundo, a santidade é viver em união com Ele os mistérios da sua vida; consiste em associar-se duma maneira única e pessoal à morte e ressurreição do Senhor, em morrer e ressuscitar continuamente com Ele. Mas pode também envolver a reprodução na própria existência de diferentes aspetos da vida terrena de Jesus: a vida oculta, a vida comunitária, a proximidade aos últimos, a pobreza e outras manifestações da sua doação por amor. A contemplação destes mistérios, como propunha Santo Inácio de Loyola, leva-nos a encarná-los nas nossas opções e atitudes.[18] Porque «tudo, na vida de Jesus, é sinal do seu mistério»,[19] «toda a vida de Cristo é revelação do Pai»,[20] «toda a vida de Cristo é mistério de redenção»,[21] «toda a vida de Cristo é mistério de recapitulação»,[22] e «tudo o que Cristo viveu, Ele próprio faz com que o possamos viver n’Ele e Ele vivê-lo em nós».[23]
21. O desígnio do Pai é Cristo, e nós n’Ele. Em última análise, é Cristo que ama em nós, porque a santidade «mais não é do que a caridade plenamente vivida».[24] Por conseguinte, «a medida da santidade é dada pela estatura que Cristo alcança em nós, desde quando, com a força do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida sobre a Sua».[25] Assim, cada santo é uma mensagem que o Espírito Santo extrai da riqueza de Jesus Cristo e dá ao seu povo.
22. Para identificar qual seja essa palavra que o Senhor quer dizer através dum santo, não convém deter-se nos detalhes, porque nisso também pode haver erros e quedas. Nem tudo o que um santo diz é plenamente fiel ao Evangelho, nem tudo o que faz é autêntico ou perfeito. O que devemos contemplar é o conjunto da sua vida, o seu caminho inteiro de santificação, aquela figura que reflete algo de Jesus Cristo e que sobressai quando se consegue compor o sentido da totalidade da sua pessoa.[26]
23. Isto é um vigoroso apelo para todos nós. Também tu precisas de conceber a totalidade da tua vida como uma missão. Tenta fazê-lo, escutando a Deus na oração e identificando os sinais que Ele te dá. Pede sempre, ao Espírito Santo, o que espera Jesus de ti em cada momento da tua vida e em cada opção que tenhas de tomar, para discernir o lugar que isso ocupa na tua missão. E permite-Lhe plasmar em ti aquele mistério pessoal que possa refletir Jesus Cristo no mundo de hoje.
24. Oxalá consigas identificar a palavra, a mensagem de Jesus que Deus quer dizer ao mundo com a tua vida. Deixa-te transformar, deixa-te renovar pelo Espírito para que isso seja possível, e assim a tua preciosa missão não fracassará. O Senhor levá-la-á a cumprimento mesmo no meio dos teus erros e momentos negativos, desde que não abandones o caminho do amor e permaneças sempre aberto à sua ação sobrenatural que purifica e ilumina.

quarta-feira, 4 de abril de 2018


Audiência: depois da missa, passar da carne de Cristo à carne dos irmãos
“Os frutos da Missa são destinados a amadurecer na vida de todos os dias”, disse o Papa Francisco na Audiência Geral, em que fez uma saudação especial "ao amado Papa Bento XVI".
Cidade do Vaticano -
A Praça S. Pedro acolheu milhares de fiéis esta quarta-feira de tempo instável em Roma para a Audiência Geral.
Depois de fazer a alegria dos fiéis ao saudá-los de papamóvel, o Papa fez notar as flores presentes na Praça, símbolo da alegria, da “flor nova” que é Cristo, pois a Páscoa faz florescer “o Cristo Ressuscitado, a nossa justificação, a santidade da Igreja”. E pediu aos presentes que desejassem “Feliz Páscoa” ao “amado Papa Bento XVI”, que nos acompanha através da televisão.
Ritos finais
 Em sua catequese, o Papa Francisco encerrou o ciclo que dedicou à Missa, falando dos ritos finais: a bênção concedida pelo sacerdote e a despedida do povo.
Assim como a missa tem início com o sinal da cruz, ela se conclui no nome da Trindade e se abre para o testemunho cristão.
 “Os cristãos não vão à missa para cumprir um dever semanal e depois se esquecer. Vão à missa para participar da ressurreição do Senhor e depois viver mais como cristãos. Abre-se o testemunho cristão, para sermos mais cristãos.”
Saímos da igreja para “ir em paz” para levar a bênção de Deus para a nossa vida e as atividades cotidianas, destacou o Pontífice.
Língua comprida
 “Se saímos da missa conversando, falando dos outros, com a língua comprida, significa que a missa não entrou no meu coração, porque não somos capazes de dar testemunho cristão. Devo sair melhor de como entrei, com mais vida, com mais força, com mais vontade de dar testemunho cristão.”
Da celebração à vida, portanto, cientes de que a Missa encontra cumprimento nas escolhas concretas de quem se deixa envolver em primeira pessoa nos mistérios de Cristo. “Não devemos nos esquecer que celebramos a Eucaristia para aprender a nos tornar homens e mulheres eucarísticos.”
Na prática, explicou o Papa, isso significa deixar agir Cristo nas nossas obras: que os seus pensamentos, sentimentos e escolhas sejam os nossos. Isso é santidade. São Paulo expressa bem este conceito quando diz: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Este é o testemunho cristão.
Sacrário
 Já que a presença real de Cristo no Pão consagrado não termina com a Missa, a Eucaristia é conservada no sacrário para a Comunhão aos enfermos e para a adoração silenciosa do Senhor no Santíssimo Sacramento; o culto eucarístico fora da Missa, seja em forma privada, seja comunitária, nos ajuda a permanecer em Cristo.
“A missa é como o grão, que na vida cresce nas obras boas, nas atitudes que nos fazem parecer com Jesus. Os frutos da Missa, portanto, são destinados a amadurecer na vida de todos os dias”, acrescentou Francisco, recordando que a Eucaristia nos separa do pecado.
“Aproximar-se regularmente ao banquete eucarístico renova, fortifica e aprofunda o elo com a comunidade cristã à qual pertencemos, segundo o princípio que a Eucaristia faz a Igreja.”
Da carne de Cristo à carne dos irmãos
Por fim, participar da Eucaristia compromete junto aos demais, principalmente dos pobres, educando-nos a passar da carne de Cristo à carne dos irmãos, na qual ele espera ser reconhecido, servido, honrado e amado por nós.
“Agradeçamos ao Senhor pelo caminho de redescoberta da santa Missa que o Senhor nos doou e deixemo-nos atrair com fé renovada a este encontro real com Jesus morto e ressuscitado por nós. E que a nossa vida seja sempre florescida, como a Páscoa, com as flores da esperança, da fé, das obras boas, que nos possamos encontrar essa força na eucaristia. Boa Páscoa a todos.”
https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-04/papa-francisco-audiencia-geral-missa.html

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Onde nos leva a Páscoa?


A grande Vigília Pascal é o memorial da Ressurreição de Cristo. Ninguém sabe como aconteceu a Ressurreição, aquilo que sabemos é o depois, o túmulo vazio, as aparições dos anjos e, finalmente, as aparições do Ressuscitado às mulheres e aos discípulos.
A única testemunha da ressurreição foi aquela noite. A noite mais escura, do fim, da desilusão, do medo.
Mas, tal como na noite de Natal, é na maior escuridão que brilha a luz que Deus traz ao mundo. É a luz que tudo vence.
A Vigília Pascal começa com o acender do círio, a partir do lume novo e, erguido pelas mãos do ministro, mostra-se ao povo, ao som do canto: “A luz de Cristo!”
É nesta noite, a primeira das noites, que se ouve o anúncio da vida do Ressuscitado. E, tal como o povo de Israel, na libertação do Egito, o povo caminha atrás desta coluna de fogo em direção ao templo, onde se recorda a história da salvação, se celebra o nascimento da vida nova em Cristo, pelo Batismo e, por fim, se encontra o Ressuscitado, vivo e presente na comunidade reunida à volta da Eucaristia.
A Páscoa é um caminho de progressiva iluminação, que conduz a Cristo no meio dos irmãos, que se deixam iluminar pelas suas palavras e pelos seus gestos. A Páscoa leva à Eucaristia e todas as vezes que a celebramos, tornamos presentes a mesma força e vitalidade, que nos inspira a fazer tudo, na vida, em memória de Jesus.
Que esta Páscoa seja o início de um tempo renovado que nos leve a viver a Eucaristia como a maior graça que nos é dada, pois recorda-nos de onde vimos e para onde vamos. É a nossa missão!
A equipa do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração deseja a todos os que seguem o nosso trabalho uma Santa Páscoa, com as maiores bênçãos de Cristo Ressuscitado!

P. António Valério, sj
Diretor da Rede Mundial de Oração do Papa em Portugal
http://www.passo-a-rezar.net/news/onde-nos-leva-a-pscoa 

domingo, 1 de abril de 2018




Deixemos que a VIDA do ressuscitado se faça VIDA na nossa vida e...o impossível tornar-se-á POSSÍVEL! SANTA PÁSCOA! ALELUIA!

sexta-feira, 30 de março de 2018


6ª feira Santa



 Os textos das meditações sobre as catorze Estações do rito da Via-Sacra deste ano foram escritos por quinze jovens, com idades entre 16 e 27 anos. O facto encerra duas novidades principais: a primeira, que não tem paralelo nas edições passadas, diz respeito à idade dos autores, jovens e adolescentes (nove deles são alunos do Liceu de Roma Pilo Albertelli); a segunda novidade é a dimensão «coral» deste trabalho, sinfonia de muitas vozes com tonalidades e timbres diversos. Não existem «os jovens», mas Valério, Maria, Margarida, Francisco, Clara, Greta...
Com o entusiasmo típico da sua idade, aceitaram o desafio que lhes foi proposto pelo Papa no âmbito deste ano de 2018, dedicado em geral à geração jovem. Fizeram-no segundo um método concreto de ação: reuniram-se ao redor duma mesa e leram os textos da Paixão de Cristo nos quatro Evangelhos, colocando-se assim diante da cena da Via-Sacra e «viram-na»; depois da leitura, respeitando o tempo necessário, cada um dos jovens manifestou o detalhe da cena que mais o impressionou e, deste modo, foi mais fácil e natural atribuir cada uma das Estações.
Três palavras-chave, três verbos, cadenciam o desenvolvimento destes textos: antes de tudo – como já aludido – ver, depois encontrar e, finalmente, rezar.
Quando se é jovem, quer-se ver, ver o mundo, ver tudo. A cena de Sexta-feira Santa é possante, mesmo na sua atrocidade. Vê-la, pode instigar à repulsa ou então à misericórdia e, consequentemente, a ir ao encontro, precisamente como vemos, no Evangelho, Jesus fazer todos os dias, incluindo este dia, o último: encontra Pilatos, Herodes, os sumos-sacerdotes, os guardas, a sua mãe, o Cireneu, as mulheres de Jerusalém, os dois ladrões seus últimos companheiros de estrada. Quando se é jovem, tem-se a possibilidade diária de encontrar alguém, e cada encontro é novo, surpreendente. Envelhece-se, quando já não se quer ver ninguém, quando o medo que enclausura prevalece sobre a abertura confiante: o medo de mudar, porque encontrar significa mudar, estar pronto a retomar o caminho com olhos novos. Enfim, ver e encontrar impele a rezar, porque a visão e o encontro geram a misericórdia, mesmo num mundo que parece carente de piedade e, num dia como este, abandonado à fúria insensata, à covardia e à preguiça distraída dos homens.
Mas, se seguimos Jesus com o coração, mesmo pelo caminho misterioso da Cruz, então podem renascer a coragem e a confiança e, depois de ter visto e disponibilizar-se ao encontro, experimentaremos a graça de rezar, já não sozinhos, mas em conjunto.



quinta-feira, 29 de março de 2018



O ano da graça da parte do Senhor

«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da graça da parte do Senhor.»


Naquele sábado, como acabámos de ouvir, Jesus leu na sinagoga de Nazaré o anúncio do “ano da graça”, o jubileu. Mas não o leu apenas, declarou-o começado, realizando-o nele próprio e em seu redor: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».
Era uma marcação antiga, o jubileu, que de cinquenta em cinquenta anos deveria ser como um recomeço absoluto do Povo de Deus, fazendo jus a tal nome. Povo reconciliado com o seu Deus e entre todos e cada um dos seus membros, escravidões abolidas, terras restituídas, gente congraçada (cf. Lv 25, 8 ss). Um mundo como Deus não deixava de o querer, onde todos tivessem lugar primeiro, verdadeiramente irmãos.
Apesar de anunciado há tanto tempo, nunca acontecera realmente. Agora Jesus proclamava-o como certo e a acontecer de súbito. Nele próprio, com certeza, absolutamente de Deus e de Deus para todos. E o que fez a partir de então, até à cruz que lhe levantaram em Jerusalém, foi conforme ao anúncio. O jubileu concretizou-se por palavras de inteira justiça e gestos de verdadeira paz. Quando o quiseram impedir e mesmo encerrar com a grande pedra do sepulcro, ainda mais irradiou numa ressurreição que não deixa de alastrar – e de que nós próprios seremos hoje o sinal. 
Por isso e só por isso estamos aqui, preparando a Páscoa e celebrando-a sempre, num tempo repleto, o ano da graça da parte do Senhor. Dizendo tradicionalmente, no “ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2018”. 
Caríssimos padres, caríssimos irmãos e irmãs: Lembrar as palavras de Jesus na sinagoga de Nazaré da Galileia, lembrá-las em Missa Crismal, para que o Espírito e os óleos sacramentais santifiquem muitas vidas, tudo isto só pode incluir-nos ainda mais na realidade e missão de Jesus, por isso mesmo o “Cristo” (ungido).
Tudo partirá de Deus, assim recomecemos com Ele, como Jesus a partir do Pai. Não só um pouco melhor do que é costume, mas sim tudo melhor porque é de Cristo. Não negamos, antes reconhecemos, quanto de bom há neste mundo, que é constante criação divina. A humanidade não deixa de ser imagem de Deus, mesmo quando Lhe perca ou diminua a semelhança. Nem temos, nós cristãos, o exclusivo do bem, que felizmente se assinala em tantas pessoas de boa vontade. O próprio Jesus o disse a um discípulo mais cioso, que se queixava porque alguém fora do grupo praticava igualmente o bem. Advertiu-o o Mestre: «Não o impeçais, pois quem não é contra nós é por nós» (Lc 9, 50). É por nós – e predisposto ao que Cristo traz como totalidade, primeira e última.
O ponto verdadeiramente cristão é retomar agora a perfeição do princípio, outro modo de dizer a intenção divina que restaura e garante a verdade das coisas. O pecado, original e originante, é, muito pelo contrário, o afastamento da Fonte, que nos resseca depois. Esquecemos o princípio e perdemos-lhe o fim, a finalidade e o sentido. Desvinculados de Deus, perdemo-nos a nós e esquecemos os outros. 
O Espírito restaura-nos em Cristo, na perfeita filiação e na fraternidade autêntica. É este o ano da graça e o jubileu realizado. Onde a vida é respeitada e nunca cerceada, quando nova e quando idosa, quando saudável e quando frágil. Onde a justiça é prioritária, dando realmente a cada um o que lhe é devido, em termos de habitação e trabalho, de educação e saúde. Onde quem chega seja bem acolhido e integrado.  
Usando a linguagem do Papa Francisco, teremos de passar do pecado que nos isola à vinculação que nos refaz. Isto em relação a Deus, aos outros e à criação inteira: «O grande risco do mundo atual, com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada». Efetivamente, as coisas são boas, mas não têm em si mesmas nem a sua causa nem a sua finalidade. São ocasiões de fruição e comunhão, dando graças a Deus e repartindo com todos. Se as retemos em nós, como se fossem tudo, o resultado é triste, continua o Papa: «Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem» (Evangelii Gaudium, nº 2).
Os outros e a criação inteira são o campo total do nosso jubileu vinculativo. Para realizarmos aquela “ecologia integral” que a encíclica Laudato si’ tanto urgiu. Vinculados à vida, respeitando-a inteiramente da conceção à morte natural; vinculados aos outros na dignidade efetivamente reconhecida; vinculados à criação inteira, casa comum de todos. Acolhamos a advertência papal: «Quando, na própria realidade, não se reconhece a importância de um pobre, de um embrião humano, de uma pessoa com deficiência – só para dar alguns exemplos -, dificilmente se saberá escutar os gritos da própria natureza. Tudo está interligado. Se o ser humano se declara autónomo da realidade e se constitui dominador absoluto, desmorona-se a própria base da sua existência…» (Laudato si’, nº 117).     

Por isso o Papa Francisco insiste tanto na necessidade duma vinculação que previna e ultrapasse qualquer deriva egoísta. Vinculação que tenha como lugar original e pedagógico a família, para nascer, crescer e aprender a conviver. 
Devemos fazer deste ponto uma prioridade irrecusável na pastoral da Igreja. O Papa está tão convencido desta prioridade de vincular as famílias para vincular a sociedade que ainda este ano insistiu, falando ao corpo diplomático acreditado no Vaticano, a 8 de janeiro: «… não se mantém de pé uma casa construída sobre a areia de relacionamentos frágeis e volúveis, mas é preciso a rocha, sobre a qual assentar bases sólidas. E a rocha é precisamente aquela comunhão de amor, fiel e indissolúvel, que une o homem e a mulher, comunhão essa que tem uma beleza austera, um caráter sacro e inviolável e uma função natural na ordem social».
Caríssimos sacerdotes e pastores do Povo de Deus no Patriarcado de Lisboa, com os nossos irmãos diáconos e todos os batizados: Os compromissos sacerdotais renovados, os óleos sacramentais abençoados, tudo se ordena ao ano da graça começado em Cristo e agora prosseguido, com o mesmo Espírito. Continua a ser a recriação do mundo, o jubileu ansiado. Aprendamos a conviver com Deus, com os outros, com a criação inteira, reforçando cada comunidade familiar por ação da Igreja, família espiritual de todos.
O que implica duas atitudes básicas, pastoralmente falando: Primeiro – e porque é a Palavra de Deus que nos suscita a fé, como lembramos e cumprimos com a Constituição Sinodal de Lisboa em plena receção – apresentemos sempre e com toda a clareza o ensinamento de Cristo sobre o matrimónio (cf. Mt 19, 1 ss e Mc 10, 1 ss). Tal não diminui a atenção devida às situações de fragilidade neste campo, mas acompanha-as em “discernimento dinâmico”, rumo à efetivação dos ditames evangélicos. Ao mesmo tempo, é-nos pedido um reforçado empenho na preparação e acompanhamento do matrimónio e das famílias. 
Numa fórmula feliz e programática, o Papa cita a seguinte proposição sinodal: «A principal contribuição para a pastoral familiar é oferecida pela paróquia, que é uma família de famílias» (Amoris Laetitia, nº 202). Para insistir, mais à frente: «Tanto a pastoral pré-matrimonial como a matrimonial devem ser, antes de mais nada, uma pastoral do vínculo, na qual se ofereçam elementos que ajudem quer a amadurecer o amor quer a superar os momentos duros» (nº 211).

A celebração plena e coerente da Missa Crismal há de levar-nos, no Espírito de Cristo, ao cumprimento do jubileu que o mundo espera, do ano da graça da parte do Senhor, proclamado naquele sábado em Nazaré da Galileia. Trata-se da vinculação geral, outro nome da aliança plena, nossa com Deus, com tudo e com todos. Da família à comunidade cristã, da vida respeitada e promovida no seu arco existencial completo à inclusão de cada um, especialmente dos mais frágeis. 
O prefácio da primeira Missa da Reconciliação proclama-o excelentemente. Dando graças a Deus por sempre nos chamar a uma vida mais feliz, continua assim: «Apesar de tantas vezes termos sido infiéis à vossa aliança, não Vos afastais de nós; antes, por Jesus Cristo, Vosso Filho, Nosso Senhor, estabelecestes entre Vós e a família humana um vínculo tão forte que nada o poderá destruir». - Da parte de Deus, o vínculo está seguro. No Espírito de Cristo, também o estará da nossa!

Sé de Lisboa, 29 de março de 2018

+ Manuel, Cardeal-Patriarca  




domingo, 25 de março de 2018



MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
AOS JOVENS DE TODO O MUNDO POR OCASIÃO
DAS PRÓXIMAS JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE

Prezados jovens!
Com a recordação cheia de vida do nosso encontro na Jornada Mundial da Juventude de 2016 em Cracóvia, pusemo-nos a caminho rumo à próxima meta que, se Deus quiser, será o Panamá em 2019. Para mim são muitos importantes estes momentos de encontro e diálogo convosco, e eu quis que este itinerário se cumprisse em sintonia com a preparação para o próximo Sínodo dos Bispos, que será dedicado a vós, jovens.
Neste caminho somos acompanhados pela nossa Mãe, a Virgem Maria, que nos anima com a sua fé, a mesma fé que Ela exprime no seu cântico de louvor. Maria diz: «O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas» (Lc 1, 49). Ela sabe dar graças a Deus, que olhou para a sua pequenez, e reconhece as grandes coisas que Ele realiza na sua vida; assim, põe-se em viagem para ir ao encontro da sua prima Isabel, idosa e necessitada da sua proximidade. Não permanece fechada em casa, porque não é uma jovem-sofá que procura estar tranquila e em segurança, sem que ninguém lhe incomode. É impelida pela fé, porque a fé constitui o âmago de toda a história da nossa Mãe.
Caros jovens, Deus olha inclusive para vós e chama-vos, e quando o faz vê todo o amor que sois capazes de oferecer. Assim como a jovem de Nazaré, também vós podeis melhorar o mundo, para deixar um sinal que marque a história, tanto a vossa como a de muitos outros. A Igreja e a sociedade têm necessidade de vós. Mediante a vossa abordagem, com a coragem que tendes, através dos vossos sonhos e ideais caem os muros do imobilismo e abrem-se veredas que nos levam rumo a um mundo melhor, mais justo, menos cruel e mais humano.
Durante este percurso, encorajo-vos a cultivar um relacionamento de familiaridade e de amizade com a Virgem Santa. Ela é a nossa Mãe. Falai-lhe como a uma Mãe. Juntamente com Ela, dai graças pelo precioso dom da fé que recebestes dos vossos antepassados e confia-lhe a vossa vida inteira. Como uma boa Mãe, Ela ouve-vos, abraça-vos, ama-vos e caminha convosco. Asseguro-vos que se assim fizerdes, não vos arrependereis.
Boa peregrinação rumo à Jornada Mundial da Juventude de 2019. Deus vos abençoe!

http://www.agencia.ecclesia.pt/portal/vaticano-papa-desafia-jovens-a-contrariar-forcas-que-os-querem-silenciar/