Convite


" A Igreja convida-nos a aprender de Maria (...) a contemplar o projecto de amor do pai pela humanidade, para amá-la como Ele a ama."



Mensagem Bento XVI, Dia Mundial das Missões 2010
















sábado, 13 de novembro de 2010

Sementes ... de Céu!

Quando as aulas terminam, na sexta-feira (mesmo que haja quatro turmas de testes para corrigir) abre-se uma página nova onde as actividades da Paróquia passam a ocupar algumas horas importantes dos dias que se seguem...
Nesta sexta-feira à tarde houve reunião do grupo missionário Poullart des Places, em Achada Bolanha, um dos lugares socialmente mais desfavorecidos da paróquia.
A reunião durou aproximadamente uma hora e juntou trinta pessoas em casa do responsável do lugar. Aqui o espaço pode ser pequeno mas as pessoas cabem sempre…uma cadeira pode dar para duas pessoas e, em qualquer espaço, cabe sempre mais um… o calor, que era muito e nos deixava completamente transpirados, não fez com que ninguém se fosse embora e lá ouvimos atentamente tudo o que o sacerdote/missionário tinha para dizer sobre os objectivos deste grupo missionário, aqui neste contexto.
                Não vou apresentar a Acta, que também existe, mas vou dizer que, entre outras coisas, ficou o desafio para visitarem, todas e cada uma, das famílias desta localidade até ao final do ano, e levarem o anúncio da Boa Nova, a certeza da presença de Cristo Ressuscitado, à vida dos homens de hoje que habitam aquela comunidade.
                Quando a reunião terminou passou-se da sala para o exterior da casa, para a rua, e enquanto já escurecia, mais de duzentas pessoas foram aparecendo, instalaram-se como podiam, e a Eucaristia começou… Á luz de uma única vela a Palavra de Deus foi proclamada e o povo de Deus (maioritariamente mulheres e crianças), alguns porcos que passeavam pela rua, os gatos, os cães, os galos, os cabritos e os pássaros, uniram-se em acção de graças…
                Quando chegou ao ofertório e enquanto o coro cantava:

Nhor Dés nu ta dá Nhô
Tudu qui nu tene (bis)

1.   Sima Nhu dá-nu Jesus Cristo cu tudu amor
P’ê bem enchinanu palavra di Nhô.

2.   Nôs  trabadjo, nôs alegria, nôs amizade,
Nu ta ‘ntrega Nhô, djunto cu  ês oferta.

3.   Nôs miséria, nôs sofrimento, nôs pobreza,
Nu ta ‘ntrega Nhô, djunto cu ês oferta.

4. Nôs tristeza, nôs fraqueza, nôs amor,
Nu ta ‘ntrega Nhô djunto cu ês oferta.

5.   Nôs mãe, nôs pai, nôs armon,
Nu ta ‘ntrega Nhô djunto cu ês oferta

as pessoas caminham para o altar e depositam, nas mãos do Sacerdote, “Tudu qui nu tene”, tudo o que têm (um saco com feijão, algumas espigas de milho, uma abóbora, alguns ovos, uma galinha viva, o dinheiro que recolheram)… são MAGNÍFICOS estes ofertórios, onde quem não tem quase nada, entrega com muito amor e muita alegria o que tem, para o sustento daqueles que lhes anunciam o amor de Deus e O tornam presente no meio deles…
                Quando vivo estas celebrações, sinto que as “primeiras comunidades cristãs” continuam a existir, percebo como é que o seu testemunho pode converter outros homens e mulheres… e peço ao Senhor da Messe, que continue a multiplicar estas pequenas sementes de Céu…por esse mundo fora!.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

S. Martinho ensina-nos a partilhar...

São Martinho: mais que castanhas e água-pé
A Igreja recorda hoje, 11 de Novembro, São Martinho, Bispo de Tours, um dos santos mais célebres e venerados da Europa.
Tendo nascido numa família pagã na Panónia, actual Hungria, por volta de 316, foi orientado pelo pai para a carreira militar. Ainda adolescente, Martinho encontrou o Cristianismo e, superando muitas dificuldades, inscreveu-se entre os catecúmenos para se preparar para o Baptismo. Recebeu o sacramento por volta dos vinte anos, mas teve que permanecer ainda por muito tempo no exército, onde deu testemunho do seu novo género de vida: respeitador e compreensivo para com todos, tratava o seu criado como um irmão, e evitava as diversões vulgares.
Tendo-se despedido do serviço militar, foi a Poitiers, na França, junto do santo Bispo Hilário. Por ele ordenado diácono e presbítero, escolheu a vida monástica e deu origem, com alguns discípulos, ao mais antigo mosteiro conhecido na Europa, em Ligugé. Cerca de dez anos mais tarde, os cristãos de Tours, tendo ficado sem pastor, aclamaram-no seu bispo. Desde então Martinho dedicou-se com zelo fervoroso à evangelização no campo e à formação do clero.
Mesmo sendo-lhe atribuídos muitos milagres, São Martinho é famoso sobretudo por um acto de caridade fraterna. Quando era ainda jovem soldado, encontrou na estrada um pobre entorpecido e trémulo de frio. Pegou no seu manto e, cortando-o em dois com a espada, deu metade àquele homem. Nessa noite apareceu-lhe Jesus em sonho, sorridente, envolvido naquele mesmo manto.
Queridos irmãos e irmãs, o gesto caritativo de São Martinho inscreve-se na mesma lógica que levou Jesus a multiplicar os pães para as multidões famintas, mas sobretudo a deixar-se a si mesmo como alimento para a humanidade na Eucaristia, sinal supremo do amor de Deus (...) É a lógica da partilha, com a qual se expressa de modo autêntico o amor ao próximo.
Ajude-nos São Martinho a compreender que só através de um compromisso comum de partilha, é possível responder ao grande desafio do nosso tempo: isto é, de construir um mundo de paz e de justiça, no qual cada homem possa viver com dignidade. Isto pode acontecer se prevalecer um modelo mundial de autêntica solidariedade, capaz de garantir a todos os habitantes do planeta o alimento, as curas médicas necessárias, mas também o trabalho e os recursos energéticos, assim como os bens culturais, o saber científico e tecnológico.
 Bento XVI ( 11.11.2007)



in: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura ( o sublinhado é meu...parece-me muito urgente e requer o contributo de cada um de nós!)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O que o meu olhar contempla

Aqui ficam algumas imagens que guardarei da minha ida a S. Miguel, no Domingo passado...

("Professora, conhece algum padre diocesano que aqui viesse celebrar todos os Domingos?”
– Não consegui responder logo, fiquei a pensar na resposta…)


                                 

 Capela de S. Miguel

O que aqui foi dito era digno de qualquer grande CATEDRAL, em qualquer parte do mundo... 


Um mês com cores novas

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Os meus AMIGOS já conhecem esta mensagem mas, um mês depois da minha partida para Cabo Verde, parece-me oportuno recordar que a cor que a minha vida tem tido aqui é também a cor da sua AMIZADE…

AS CORES DOS AMIGOS 
AMIGOS são ‘cores ’, cada qual com seu matiz,
de um modo sempre muito marcante.

Há o Amigo ‘ cor verde ‘:
É aquele que em tudo ressalta a beleza da Vida
e põe esperança nela. Sustenta-nos.

Há o Amigo ‘ cor azul ‘:
É aquele que nos traz palavras de serenidade,
Dando - nos a impressão, ao ouvi-lo, que estamos em contacto
 com o céu ou o profundo azul do mar. Ele eleva-nos.

Há o Amigo ‘ cor amarela ‘:
Ele aquece-nos, assim como o sol; faz-nos rir, sorrir e ver o
brilho amarelo das estrelas bem ao alcance das nossas mãos.

Há o Amigo ‘ cor laranja ‘:
Traz-nos a sensação de vigor, saúde, enriquece o nosso
 espírito com energias que são verdadeiras vitaminas para o
nosso crescimento.

Há o Amigo ‘ cor vermelha ‘:
É aquele que domina as regras de viver, é como o nosso
sangue. Ele adverte para os perigos, mas nunca nos abala a
coragem. É pródigo em palavras repletas de caloroso amor.

Há o Amigo ‘ cor roxa ‘:
Traz à superfície a nossa essência majestosa, como a dos
reis e dos magos. As suas palavras têm nobreza, autoridade e
sabedoria.

Há o Amigo ‘ cor cinza ‘:
Ele ensina-nos o silêncio, a meditação e o auto-conhecimento.
Conduz-nos a pensamentos e reflexões. Ajuda-nos a ir ao
 mais fundo de nós mesmos.

Há o Amigo ‘ cor preta ‘:
Ele é mestre em mostrar o nosso lado mais obscuro, com
palavras geralmente duras, atinge-nos sem ‘ anestesia ’ e, com
 boas intenções, leva-nos a considerar melhor as nossas
 atitudes perante a vida.

… E há o Amigo ‘ cor branca ‘:
Esse é uma mistura de todos. É aquele que tira um pouco de
cada um e nos revela verdades nascidas da vivência e da
experiência dos conhecimentos. Prova-nos que, não só ele,
mas também todos os outros, têm verdades aprendidas para
 partilhar connosco.

Com eles vamos tecendo a nossa vida até ao dia em que
 reunidos na casa do Pai, entrelaçados no Seu amor,
formaremos um ARCO-ÍRIS de Amor e de Amizade.

Não me importa qual é a tua cor, mas Obrigada pela tua Amizade!

domingo, 7 de novembro de 2010

Domingo, o mistério insondável do Amor que se faz EUCARISTIA

Hoje é Domingo, XXXII do Tempo Comum, e como cristã participei na Eucaristia.
Fui pela primeira vez a uma localidade que se chama S. Miguel (onde nasceu a Paróquia). Desde as chuvas do mês de Outubro, esta localidade ficou com os acessos cortados e, até agora, não tinha tido Eucaristia. Saímos de casa às 9h45m e fizemos seis quilómetros por um caminho tão irregular e cheio de pedras que o pobre do jipe sacudiu por todo o lado e, lá dentro, os nossos ossos, quase mudaram de forma. A descida é grande (fazia lembrar a estrada do Piódão) e a paisagem verdinha e muito linda. A comunidade já estava reunida, embora em menor número, porque não havia a certeza que houvesse Eucaristia. O coro hoje era constituído por quase vinte crianças que, sozinhas, animaram toda a celebração. Nestas celebrações canta-se em Português e em crioulo mas é com o crioulo que aquelas vozes se identificam mais:

Nu sta li reunido na nome de Nhor Dés

Nu bem louva,
- Nu bem agradecel pa vida qui é danu (bis)

Consagrados pa baptismo
Nós é gentis qui Deus crê tcheu.
Ê danu vida na Jesus Cristo
Sprito Santo ta santificanu.

Pa nu pode vive nos entrega,
Eucaristia é centro di nós vida.
Na el Nhor Dés ta renovanu
Amor de Deus ta lebanu pa amons.

Maria ta inchinanu sabe
Pa’m da Deus tudo nos esperança .
Faz a vontade de Nhor Dés na nós dia a dia
Na alegria e na simplicidade.

O missionário, prior da paróquia, a partir da liturgia de hoje falou da vida eterna, pegou nas tradições locais, que por vezes ainda não se identificam com o Evangelho, e ajudou-os a fazer uma leitura cristã das mesmas…Foi grande o desafio feito àquela comunidade e MUITO BOA a homilia que convidou à conversão e à conformidade da vida com a fé. Foi digna de uma das grandes catedrais de qualquer parte do mundo … e, no entanto, a Igreja era muito pobre, faltava-lhe um pedaço do telhado, precisava de tinta e de obras, os pássaros que entravam misturavam o seu canto com o das crianças e até as moscas vieram à Eucaristia em grande quantidade… Tirei algumas fotografias que ainda não passei para o computador mas nem as imagens nem as palavras são suficientes para explicar tudo o que sentimos e vivemos ao mergulhar na vida destas comunidades e ao celebrar com elas o mistério insondável de amor que é a Eucaristia.
Esta foto não é do dia de hoje mas mostra a atenção com que a comunidade escuta a voz do Pastor

sábado, 6 de novembro de 2010

As cidades que já visitei

Como já perceberam não tenho tido muito tempo para vos dar notícias mas, com a graça de Deus, a vida vai correndo bem. Já dei três semanas de aulas e tenho muitos alunos novos (e menos novos, em idade) mas... sobre esta experiência nova, falarei um destes dias. Hoje resolvi enviar o mapa da ilha de Santiago e algumas imagens das localidades por onde já passei... Já estive na capital, a cidade da Praia, e já visitei a Cidade Velha "Patrimóniu di Umanidádi"... sim, já ando a aprender Crioulo e, claro, a ensinar Português, porque a necessidade é grande...
Bom Domingo!

Mapa da Ilha de Santiago
Calheta de S. Miguel onde me encontro
Assomada



Assomada



Tarrafal (a praia e o monte que escolhi para imagem deste blog)

Tarrafal ( o peixe fresco que podemos comprar logo alí na praia)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"Encerramento" do Outubro Missionário


         Ao chegar ao último dia deste Outubro missionário e, três semanas depois de ter chegado à Ilha de Santiago, em Cabo Verde, partilho convosco as palavras que li, de um missionário que já partiu para o Pai (Pe. Torres Neiva – Espiritano) e que expressam bem a multiplicidade de sensações, sentimentos e vivências que esta etapa nova da vida me tem oferecido:
   “Eu penso que a primeira coisa que a missão nos ensina é a recuperar este olhar carinhoso de Deus sobre todos e cada um dos Seus filhos. A missão é um dom de Deus, nasce do coração do Pai, do Seu amor por cada um. É este desígnio amoroso de Deus que nos comunica o Seu amor e a Sua vida. Ele envia-nos o Filho e o Espírito Santo para nos revelarem esse amor. Cristo incarnou só para isto. A Igreja foi fundada como sinal permanente, sacramento vivo e eficaz deste dom do amor de Deus. Nós, como cristãos, pelo nosso Baptismo tornamo-nos sacrários desse amor. É a nossa vida que revela essa presença de Deus em nós. Somos missionários por contágio. Cristo envia-nos aos outros, tal e qual o Pai o enviou a Ele. É a fonte que faz o rio.
   Por isso, ser missionário é antes de mais nada acolher esse amor. Cada um de nós é a verdadeira terra de missão: da missão do Filho e do Espírito Santo, que o Pai nos envia. Quando o amor de Deus habita em nós, a nossa vida deixa de falar em nós para falar de Deus.
   É como o rio, todo cheio de água, que vem da nascente. Quem olha para ele, não vê o leito, mas a água.
(…) Estais a ver que ser missionário … é revelar o amor de Deus. (…) Os pagãos dos tempos da Igreja nascente entravam na Igreja porque viam como os cristãos se amavam uns aos outros: “vede como eles se amam.”
   Anunciar o Reino (…) é amar os outros (…) Amar como Deus ama: “ Assim como o Pai Me enviou, assim Eu vos envio a vós.”
            E o Santo Padre Bento XVI veio dizer, na homilia do dia 14/05/2010, no Porto: “O campo da missão ad gentes apresenta-se hoje notavelmente alargado e não definível apenas segundo considerações geográficas; realmente aguardam por nós não apenas os povos não - cristãos e as terras distantes, mas também os âmbitos sócio - culturais e sobretudo os corações que são os verdadeiros destinatários da actividade missionária do povo de Deus.”
Com um abraço fraterno e o desejo de que estas palavras suscitem alguns momentos de reflexão.
BOM DIA DE TODOS OS SANTOS!